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Archive for março \24\UTC 2009

Milésimo

Quem é maior?

Invariavelmente, quando um jogador começa a forçar sua saída ou sai de um clube, os dirigentes aparecem em frente do backdrops e dizem com toda a sinceridade que lhes caracteriza: ” Jogador X é muito bom… É realmente um craque de seleção, mas a instituição Y é muito maior que ele…”

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Uma das coisas mais habituais do futebol é ver um torcedor criticando o comportamento da torcida adversária apara atingir o clube rival.

Atitude totalmente incompreensível para mim.

Torço por um clube de uma torcida famosa por não comparecer ao estádio* e quando ouço esse tipo de crítica só consigo pensar: E daí? Torço pelo meu time e não pela minha torcida. Pouco me importa se em um jogo contra um time do interior o estádio não lota. Lamento, é claro, que o estádio vazio seja palco de um ator sem público. Só não posso entender como isso tira o brilho de uma conquista.

Tenha certeza, querido leitor… Há algo de muito errado quando um torcedor orgulha-se mais de seus companheiros de arquibancada que de seu clube. Pior que isso é quando o orgulho não se justifica! É apenas um clichê repetido em programas esportivos de gosto duvidoso sempre com a intenção de adular seu público consumidor.

*Alguém que fala de futebol, mesmo que seja num blog, deve ter um comprometimento minimo com a verdade. Então, seguem algumas linhas abaixo as médias dos grandes de São Paulo nos quatro últimos anos de campeonato brasileiro.

Corinthians 1.648.754 (76 jogos) Média: 21.694

SPFC 1.562.914 (75 jogos) Média: 20.838

Palmeiras 1.178.721 (77 jogos) Média: 15.308

Santos 664.963 (73 jogos) Média: 9.109

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Barriga cheia

Fui criado no Espírito Santo, onde o futebol não tem, nem de perto, a força que possui no restante do Sudeste. É uma periferia dentro do centro, como as favelas.

Não por isso. Já presenciei momentos inesquecíveis nos campos capixabas. Sequer preciso me esforçar mentalmente para trazer um deles ao texto. Não reparem, contudo, se eu inventar todo o “pano de fundo” da história, pois minha memória não é tão boa assim, ou a partida não foi inteiramente inesquecível.

O jogo: Serra versus Jaguaré, no Robertão, cuja arquibancada para a torcida do adversário é modernamente desmontável. Pois bem. O goleiro serrano vinha fazendo defesas incríveis quando no placar constava a vantagem de um gol para seu time. Pênalti para o Jaguaré. O arqueiro, claro, defende. Seu time deslancha e abre três gols de vantagem.

Um chute de fora da área, indefensável, entra no ângulo esquerdo da meta do Serra; um golaço, que merecia ter sido feito, eu diria, na primeira fase de uma Copa do Mundo, para boa parte do mundo ver. Mas, acredite, algo me marcou ainda mais que o gol: logo após lance, com o placar constando 6 x 1 para o Serra, um torcedor ao meu lado se levanta, de razão e barriga cheias, para queixar-se do melhor jogador da partida, do goleiro de seu time, por não ter evitado aquele gol.

Tudo bem, cada um com suas exigências. Eu nunca exigi muito, tanto que acompanhava de bom grado algumas partidas capixabas. Mas, claro, meu sonho não era exatamente aquele. Quero, mesmo, assistir a um clássico entre Inter e Milan, no San Siro.

As previsões de cumprimento desta meta estão escassas, mas já me pus na situação em que terei que responder a um amigo que me perguntar, após o jogo, “— E aí, como foi?”. Direi, sem sombra de dúvidas, as mesmas coisas que um jovem cuja noite foi romanticamente cumprida junto de uma atriz de cinema americano. Pois, no dia em que eu perguntar à Sharon Stone “— Do you wanna go out with me?” e ela aceitar de bate-pronto, contarei a alguém que me senti como um jovem apaixonado por futebol que cresceu no Espírito Santo e conseguiu assistir um dos maiores clássicos do mundo, no estádio.

P.S.: Há, por agora, um concurso com a seguinte premiação: uma viagem para assistir a um jogo no San Siro. Não, não é entre Inter e Milan. Milan x Juventus é o confronto. Caso vença, irei de bom grado. O que acham da Demi Moore?

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Ronaldo, antes e depois

ronaldo

Quero falar sobre como Ronaldo me impressionou no jogo diante do Palmeiras. Nem só por conta daquela pancada no travessão, do belo drible no meio campo, do gol a dois minutos do fim ou da comemoração bem menos contida que as realizadas no continente europeu. Surpreso mesmo fiquei com o estado de alma do jogador na entrevista concedida ainda no gramado, segundos depois de todo o ocorrido, na efervescência do acontecimento.

Ouvi e vi Ronaldo; a vivacidade de sua expressão, olhando quase para cima, me impediu de prestar atenção em qualquer outra coisa. Só me lembro, vagamente, de algumas palavras, “deixando a modéstia de lado”, “gol”, “perfeição”. Estava claro e radiante: depois de longa jornada, Ronaldo voltava pra casa.

Se não me falha a memória, suas entrevistas durante o período no velho continente eram sempre comedidas, contidas, quase cabisbaixas, modestas. Portava na entrevista de um jeito completamente distinto do que jogava, o que é muito natural. Mas não custa lembrar que antes de cruzar o oceano, ainda atuando pelo Cruzeiro, Ronaldo perguntava ao repórter, com a mesma inocência e irreverência que jogava bola, se tinha filmado o inusitado lance no jogo contra o Bahia. Aquele Ronaldo e aquela inocência desapareceram com a ida para o exterior e não ressurgiram com o retorno ao Brasil. De fato, nem aos deuses foi permitido desfazer o feito, mas é inegável um retorno, uma volta, uma recuperação, um reencontro.

Ronaldo está de volta, mais maduro, espontâneo e menos modesto. Perfeito, pois modesto é quem não quer aparecer: me diga, como um fenômeno pode não aparecer? Além do mais, quem quer desaparecer não deve cumprir seu destino, menos ainda se este destino é fazer gols, por  exemplo, num Corinthians e Palmeiras e aos quarenta e sete minutos do segundo tempo. Ronaldo está, outra vez, de volta, como sempre e como nunca. Quando o poeta pede, Deus já atendeu: “Salve-deus-nosso-senhor! O atacante matador”.

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Trabalho infantil

Esses dias li uma entrevista concedida por Robson Crusoé em sua ilha deserta. Lá, ele diz que literatura infantil pode ser apenas uma invenção dos livreiros em prol da organização de suas estantes. Os profissionais desse ramo literário, diz o solitário, nada entendem de palavras; infantil mesmo é o autor, nunca o livro.

O profissionalismo não lhes assusta? Vejam o que aconteceu com o futebol depois da profissionalização exagerada. Garotos de doze estão sendo contratados por clubes europeus. E não nos surpreenderia a menção de outros ainda mais novos com futuro garantido. Um presente grande demais para uma criança.

Já ouvi dizer que para se destacar profissionalmente, ter emprego garantido, basta trabalhar com aquilo que gosta. Trabalhar com gosto significa fazer bem feito, com carinho, dedicação e cuidado. Trabalhar sem gosto significa descaso, descuido, fazer mal feito. Ninguém quer um empregado que trabalhe mal.

Mas eis que surge a bendita e estranha contradição, que há algum tempo ronda por aqui. Seria mesmo vantajoso trabalharmos com aquilo que gostamos? Pois não já lhes ocorreu que o guia da escolha, o gosto, o prazer, a paixão, correm sério risco de desaparecer algum tempo depois? Que, nesse sentido, podemos passar a fazer mal feito aquilo que fazíamos bem feito? Logo que um prazeroso afazer torna-se a principal fonte de renda do sujeito, aquilo que fazia da ocupação um prazer pode simplesmente evaporar. Uma das inúmeras separações que colecionava o filósofo Immanuel Kant era entre a arte remunerada e a arte livre, a única capaz de despertar o prazer da contemplação. Ainda não recebemos convite da ESPN Brasil para trabalharmos como colunistas do site. Ufa!?

O trabalho infantil é proibido. Suponho que trabalhar com aquilo que gostamos deveria ser também, já que a obrigação poda toda a espontaneidade de um trabalho não remunerado. Mas é preciso confessar: essa suposição pode ser apenas o eco de um choro ocorrido há cerca de duas décadas, quando descobri que minha roupa de Peter Pan havia sumido, talvez para sempre. Alguém já me disse: a criança precisa crescer. E fora de uma ilha deserta.

Rogério Ceni, Marcos e Nelson Rodrigues são alguns exemplos de casamentos bem suscedidos entre profissão e paixão. As  infalíveis crônicas semanais para os jornais não me deixam mentir. Olhando pra eles, começo a acreditar que a idéia de casar com uma mulher por paixão não é tão absurda assim.

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Quase todo dia, no Brasil, os jogadores trocam de agremiação. E pouco importa se é na saída da antigo time ou na chegada à nova equipe, quando questionados do porquê da troca, os jogadores vão usar indubitavelmente uma expressão.

“Eu sou profissional e…”

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Não gosto de falar de injustiça no futebol, exceção feita, claro, aos erros grosseiros do juiz ou como preferimos chamar: o roubo.

Por isso sempre me causou estranheza o jogo de 31 anos atrás ser famoso pela injustiça. Óbvio que temos que lamentar quando a equipe que era (muito) melhor perde vitima de um regulamento que não a favorecia. Mas não podemos nunca nos esquecer que nossas equipes são cúmplices dos regulamentos e mais até: nunca podemos nos esquecer que bater pênaltis faz parte da competência de um jogador, treiná-los faz parte das obrigações do treinador e pegá-los é qualidade e sorte de poucos arqueiros.

A verdade é que olhando para trás sempre me pergunto: Como seria a história do Atlético Mineiro se tivesse vencido o São Paulo? Tornaria-se um clube mais forte do que é atualmente? Será que aquele jogo foi o responsável por mutilar o futuro daquele que seria o maior clube de futebol brasileiro?

Ou…

…O Galo seria uma espécie de Flamengo que busca no retrovisor as suas conquistas? Será que naquele jogo se fez a justiça de não premiar com as glórias da vitória um clube que hoje se afunda em dívidas e no caos administrativo?

Os jogadores do Clube Atlético Mineiro certamente sabiam das incertezas da decisão por pênaltis, mas não imaginaram que mais incerto seria o futuro do alvinegro depois daquele dia 5 de março de 1978*. Na marca de cal, além da bola, havia o destino. Da grandeza de uns e da injusta (?) decadência de outros.

* O Campeonato Brasileiro de 1977 foi decidido em 1978. Coisas do nosso futebol…

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