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Archive for abril \29\UTC 2009

Castigo celeste

“— Deixa de bobeira, deixa de bobagem, já virou sacanagem!”. Assim cantava a torcida cruzeirense quando o terceiro gol se consumou. No momento, alegria; depois, perplexidade de minha parte.

Eu não estava no Mineirão, tampouco o canto da torcida que chegou até mim foi capturado pelos microfones no estádio. O que presenciei no último domingo me contradiz diretamente. (mais…)

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Quem nunca teve um sonho? Infelizmente nem sempre realizamos nossos desejos. Sonhos são pra se sonhar ou para se tornar realidade? Talvez seja um dilema irreal, já que muitas das nossas vontades mais profundas morrem sem conhecer o dia. A verdade verdadeira é que muitos sonhos morrem sem conhecer minimamente a possibilidade de concretização. Mas não! Esse não é um texto pessimista… hoje não.

Toda a amargura de pensar no meu cemitério particular de sonhos serve apenas para para acentuar o doce gosto do desejo realizado. E posso dizer com a alma branca de felicidade que eu estive no maior templo futebolístico do mundo: O Santiago Bernabéu.

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Caminho para a distância é o nome do primeiro livro de poesias do Vinicius de Moraes. Aos poucos, estou me inteirando. Mas nada encontrei no interior que superasse o impacto do título, ainda. Geralmente se caminha para aproximar-se do que quer que seja. Mas, de fato, é impressionante como conseguimos nos afastar em tentativas laboriosas de aproximação. O avesso também ocorre: a fuga pode fatalmente nos aproximar do que a motiva.

Nelson Rodrigues exaltava os benefícios de assistir a uma partida nas Laranjeiras, o aconchego, a proximidade do acontecimento: de perto, o cheiro do suor torna-se requisito indispensável para confirmar que não se trata de marmelada, que os jogadores estão realmente suando a camisa. No Maracanã, dizia, tudo é muito vago e longínquo: insuportavelmente seco e distante. Nas Laranjeiras uma pelada tornava-se impactante, uma reles cobrança de lateral inflamava o torcedor. Em mensagem subliminar, sugeriu que se a final da Copa de 50 tivesse ocorrido nas Laranjeiras, ou o Brasil golearia o Uruguai ou um torcedor acertaria o Gighia naquela jogada de linha de fundo, antes ou depois do lance. Tudo, menos aquele silêncio infernal.

Eis que num intervalo de dois dias tive a oportunidade de participar dos dois lugares. Presenciei, no domingo, a vitória do Flamengo sobre o Botafogo. Na segunda acompanhei o treino do Fluminense nas Laranjeiras. E constatei: Nelson Rodrigues estava certo; estava. Apesar de reconhecer cada linha da crônica ao contemplar o belo (porém descuidado) campo tricolor, foi no Maracanã que acabei de compreender aquela exaltação às Laranjeiras. A partida entre Botafogo e Flamengo foi lastimável. Bola na canela, passes errados, jogo truncado, e um mísero gol contra, que sequer tornar-se-ia bonito caso fosse à favor. Uma autêntica pelada. Mas muita coisa aconteceu.

Raras vezes presenciei tão forte ousadia, beleza e virada de jogo. Beleza provida da torcida de Flamengo e Botafogo; ousadia oriunda de um botafoguense que, entre milhares de flamenguistas, torcia e retorcia como se estivesse entre alvi-negros; virada de jogo da massa rubru-negra para cima de mim e dos adversários. Imaginava que a torcida do Flamengo tinha sua força, mas não sabia que era tamanha. Até então só havia tido experiências estreitas, um, três, seis, não mais que dez flamenguistas ao meu redor. O canto e paixão dos incontáveis no meu entorno escancararam que a torcida rubro-negra, em estado de massa, é maravilhosa, enquanto o torcedor rubro-nego singular é um ser insuportável. Sim, também virou o jogo para cima dos adversários, que acreditavam apertar a ferida dos rubro-negros relembrando-lhes sua condição social, quase esquecida durante o jogo de futebol, ao cantar “- Favela, favela, silêncio na favela!”. Domingo, descobriram que o futebol não é tão alienante: o canto era “- Favela, favela, é festa na favela!”.

Se Nelson Rodrigues enxergou no Maracanã uma distância, frieza e esterilidade ausentes nas Laranjeiras, encontrei no Maracanã uma proximidade, paixão e fertilidade ausentes na televisão. Nenhuma câmera especial, tampouco uma absurda quantidade delas, nenhum microfone de última geração, é capaz de nos aproximar do jogo. Se a construção do estádio Mário Filho significou um passo no distanciamento do jogo de futebol, a transmissão das partidas através do televisor significou um salto. A TV transmite ainda menos cheiro que o Maracanã.

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Hoje, neste texto, haverá uma só palavra relevante:

Telê!

O que seria de um blog que ousa buscar o lirismo escondido na bola, sem o homem que nos ensinou que futebol-arte é redundância?

tele

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Ter uma atividade que contempla o futebol, como escrever neste Blog, faz com que qualquer bola rolando produza em mim a visão de linhas sendo escritas. Assim, qualquer cotejo* é uma possibilidade eminente de um texto para os meus fiéis leitores.

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Pela primeira vez, assisti a um Fla X Flu, no Maracanã. Não me senti à vontade para escrever sobre o jogo. Um tema, envolvendo o resultado (1 x 1), morreu pré-maturo. O fato é que estava intimidado. Num sentimento parecido com aquele provocado pela frase de Adorno, “Não é possível fazer poesia depois de Auschwitz”, me sentia rodeado pela afirmação “Não é possível escrever sobre um Fla X Flu depois de Nelson Rodrigues”. Claro, apelei para o relato de minha experiência particular, deslocando a atenção do objeto para o sujeito. Minha sincera revolução copernicana.

Foi… Bom, quer dizer, foi quase bom. Não tiveram jogadas encantadoras, o primeiro tempo se arrastou num zero à zero, o estádio não estava cheio e nenhum dos dois times corria risco de desclassificação. Mas ocorreram gols, um pra cada lado, pude ver as torcidas explodirem de emoção, e a organização do evento, diga-se de passagem, estava exemplar. Apesar de não ser bem isso que se espera de um Fla X Flu no Maracanã. Eu trocaria uns quarenta minutos à mais na fila por um gol de barriga decidindo o campeonato. Concordo que a expectativa não poderia ser tamanha, pela própria circunstância da partida, mas um três a dois, de virada, passava pela minha cabeça. Enfim: foi bom.

Alguém me consolaria dizendo que a primeira vez dificilmente se passa como o desejado. E mais, diria que nossas expectativas são a causa de nossos maiores males, o motivo de todas as nossas decepções, e imediatamente lançaria um discurso sobre a abolição das esperanças: assim, livres do mal que restou na Caixa de Pandora, tudo se mostraria digno de admiração, como se contemplássemos as coisas sempre pela primeira e última vez. Faz algum sentido. Mas, fóssemos assim, não nos deleitaríamos tanto diante da atuação do Barcelona diante do Bayern de Munique.

Fim de primeiro tempo: quatro a zero, dois gols de Messi, um de Henry e outro de Eto´o. Quando o Cruzeiro, após vencer o Campeonato Mineiro, a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro, em 2003, contratou o Rivaldo, as pernas dos adversários bambearam. À toa. O Cruzeiro imaginado não entrou em campo. Na Copa do Mundo de 2006, o suposto Brasil não foi à Alemanha. Digo isso pelo seguinte: imaginem Eto´o, Henry e Messi num só time; pois foi essa imagem que realmente entrou em campo quarta-feira. Dia marcado pela exaustão de todas as espectativas. Pareceu, por isso, que estávamos assistindo uma partida de futebol pela primeira vez, enquanto a equipe espanhola jogava como se fosse pela última. Espero, ansiosamente, o próximo jogo, conste nele o Barcelona ou Flamengo e Fluminense.

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Segunda-feira é sempre aquele dia que sabemos bem. Dia de trabalho, da ressaca dos dias de descanso e dia sem futebol (ingleses não contam).

E a segunda-feira passada também foi, para mim, dia de levar minha mãe ao médico. Não, preocupado leitor! Nada de grave! Apenas a invariável rotina e uma pressão um pouco alta.

Contando os minutos na sala de espera, pude perceber uma figura familiar com a esposa e a filha… Hmmm, falando francês e com pinta de boleiro, sim, era mesmo ele! O Godemeche.

Ali, naquela sala de espera, estava o meia da Naval, time da minha cidade.

Não pude bancar o Fanboy, não era o local apropriado para isso, mas aproveitei o momento como exemplo prático do que já havia constatado nos primeiros minutos de portugal. Ao meu lado, naquela sala, não havia um jogador. Havia, na verdade, um pouco de justiça social.

É um daqueles momentos em que olho para a minha terra natal com perplexidade. Enquanto pagamos convenios caros (que por sua vez repassam o dinheiro a uma equipe de futebol) buscando um tratamento minimamente digno, na europa um jogador de uma equipe da primeira divisão se dirige ao posto público mais próximo quando a filha está doente.

Não se trata, de forma alguma, de um caso isolado. Basta lembrar da mesma perplexidade do ex-jogador (e eterno idolo) Raí dizendo que, na frança, suas filhas estudavam no mesmo colégio que as filhas de sua faxineira.

No país do futebol nem é tão incomum encontrar com um boleiro. Só não espere que isso aconteça em posto público de saúde. Esse tipo de lugar é destinado aos pés descalços e não aos que vestem chuteiras.

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