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Archive for julho \03\UTC 2010

190 milhões de Julianas

Brasil fora da Copa. Ainda soa estranho. Era quase comum chegar à final. Denunciados os erros da última Copa, chegaria na final outra vez, como chegou em 94,98 e 2002. Mas cabe lembrar que precisaram cinco mundiais, depois 1970, para recordar o sentimento de participar de uma decisão. É hora de ponderar. Não foi só a farra que tirou o Brasil em 2006. Nem só os erros de convocação do Dunga, vide a aposta em Felipe Melo, tiraram-no desta.

O brasileiro, em geral, precisa gostar mais de futebol. Assim, saberia que Zidane jogou muita bola naquele jogo do Brasil contra a França. Também o futebol tirou a quarta final consecutiva de nossas mãos, o futebol que se manifestou através do craque francês. De maneira mais diluída, em todo o time da Holanda, ontem. E o que faz o torcedor brasileiro? Comemora cada gol aplicado contra a França nesse mundial. É o que fará agora esse mesmo torcedor. Certamente comemorará os gols contra o time da Holanda.

Mas a maior parte da energia se direciona para os jogos da Argentina. Já que não passou o Brasil, que não passem os hermanos. Este sentimento contagia o país, bem representado num comercial de cerveja, noutro de telefonia celular. Bem representado também por uma personagem do Primo Basílio, a Juliana. Passando os olhos por dentro dos desejos dela foi inevitável imaginá-los no famoso “torcer-contra”:

A necessidade de se constranger trouxe-lhe o hábito de odiar: odiou sobretudo as patroas. Tivera-as ricas com palacetes, e pobres, mulheres de empregados, velhas e raparigas, coléricas e pacientes – odiava-as todas, sem diferença. É patroa e basta! Pela mais simples palavra, pelo ato mais trivial! Se as visse sentadas: — Anda, refestela-te, que a moura trabalha! Se as via sair: — Vai-te, a negra cá fica no buraco! Cada riso delas era uma ofensa à sua tristeza doentia; cada vestido novo uma afronta ao seu velho vestido de merino tingido. Detestava-as na alegria dos filhos e nas prosperidades da casa. Rogava-lhes pragas. Se os amos tinham um dia de contrariedade, ou via as caras tristes, cantarolava todo dia em voz de falsete a Carta adorada!

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O jogo entre Brasil e Portugal na primeira fase inauguraria os duelos artísticos. Tinha em mente uma disputa entre Fernando Pessoa e Carlos Drummond.  Sorte: aquele zero a zero acabaria de vez com a brincadeira.

Um feliz acaso ela tomar forma e corpo no jogo entre Brasil e Holanda. Dois países que conseguiram entrar para a história do mundo com a beleza de seu futebol sem a chancela do resultado. Em 1974, a Laranja Mecânica perdeu a final para a Alemanha, de Beckenbauer. Salvo engano, o goleiro alemão foi o melhor jogador da partida. Em 1982, o Brasil de Telê Santana foi eliminado pela Itália ainda nas quartas de final. Para a surpresa dos que vivem de resultados, é uma seleção celebrada mundo afora, quiçá mais que a seleção brasileira de 1994, vencedora da Copa.

Demais seria definir o vencedor do jogo entre o Brasil de 82 e a Holanda de 74. Talvez tão impossível quanto se decidir o vencedor do duelo proposto no título. Mas amanhã tem jogo. E o discurso dos dois times, dentro e fora de campo, ancora-se na vitória, coisa que aquelas duas seleções do passado não alcançaram. Mesmo que o discurso fosse outro. Dos pênaltis não passa. No mais tardar, às 14h00 do dia 2 de julho de 2010 estará decido. Tarsila ou van Gogh?

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