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Archive for setembro \19\UTC 2010

Me engana que eu gosto

Há alguns meses a imprensa mineira fazia crescer em mim a expectativa de ver o Riquelme vestindo a camisa dez do Cruzeiro. Sim, a imprensa, que para Machado de Assis ocupou o lugar dos templos gregos no sustento da cultura, me dizia diariamente: Riquelme no Cruzeiro.  Já começava a arrumar as malas, de mudança para BH. Mas no suposto dia da resposta do jogador,  Sorín, o suposto intermediário da negociação, que na minha cabeça sentava com Riquelme numa mesa de reunião, na verdade comentava um jogo do Cruzeiro na TV Globo. Sequer mencionou o assunto.

E o Cruzeiro trouxe o outro jogador, conterrâneo de Riquelme: Montillo. Aquele, que fez um golaço contra o Flamengo na Libertadores. Não fosse aquele gol, duvido que seria cotado para a camisa dez do Cruzeiro. E golaços não brotam necessariamente do pé de grandes jogadores. Vide Cláudio Pitbull. Ou Lenin, que fez fila num jogo contra o Cruzeiro, finalizando com uma pancada no ângulo. Desconfiava mesmo da qualidade do argentino. Numa linguagem mais futebolística: um enganador assumiria a camisa dez do Cruzeiro. Essa, que outrora pertenceria a Riquelme.

O caso é que Montillo continua me enganando. Chegou e, desde então, tem criado jogadas incisivas. Feito gols. Deu passes que faz tudo parecer muito simples, como aquele contra o Guarani. Já havia o visto de perto em São Januário. Me enganou direitinho, ditando um ritmo de jogo impressionante. Por detalhes, como a trave, o Cruzeiro não venceu a partida.

Não satisfeito, ontem fui checar mais uma vez. Quem sabe agora a verdade se revelaria? E o primeiro tempo do jogo confirmava minha tese. Montillo apareceu pouco, perdeu em boa parte das tentativas de dribles. Errou passes curtos, dando a entender que jogava menos bola que eu. Mas veio o segundo tempo, e com ele uma segunda chance de me enganar.

Recomeçou o jogo. Pênalti para o Cruzeiro. De longe, via Montillo com a bola debaixo dos braços. Confesso que pedi bastante para ser enganado. E fui: o argentino cobrou com maestria.  Nada que me fizesse voltar atrás. Afinal, qualquer um pode cobrar um bom pênalti, vez ou outra. Mais difícil é fazer o gol que Montillo fez em seguida. Passar pelos jogadores do Botafogo como passou, naquela velocidade sem perder o tempo da bola, e bater com firmeza no canto. O goleiro sequer tentou defendê-la. Golaço. Outra vez.

Arrisco dizer que cruzeirenses já titubeiam diante de uma possível troca: Rilqueme por Montillo. Particularmente, depois de ontem pensaria um pouco. Só um pouco. Mas admito que se o atual camisa dez continuar enganando-me esse tanto, receio que o Riquelme chegue e não jogue o tanto que, na verdade, ele joga. Já não é tão simples distinguir o certo do duvidoso. Felizmente.

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