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Archive for fevereiro \22\UTC 2011

Acertou bonito

Montillo foi decisivo semana passada pelos dois gols que fez. Melhor, dois golaços. Pelo esforço daquele carrinho disputando uma bola na linha lateral, no campo do adversário. E pela jogada que culminou no seu passe para o Roger, autor do segundo gol cruzeirense.

O futebol encanta por várias coisas. Uma delas, alguns dizem, “a maior delas”, é a imprevisibilidade do resultado. Um time fraco sempre tem a chance de vencer um time forte, como foi no jogo entre Arsenal e Barcelona. Não que o time inglês seja fraco. A partida configurava isso: o Barcelona vencendo e subjugando o Arsenal. Num lapso, o time inglês virou o jogo e se mostrou forte, o que parecia impossível. De fato, é isso que encanta no futebol, mas não só a imprevisibilidade do resultado final de uma partida: a imprevisibilidade de toda e qualquer jogada.

No texto do Drummond sobre Pelé, sem dúvida entre os mais belos que já li, o poeta faz do atleta de futebol uma escultura que se desfaz e refaz a cada instante. Armando Nogueira vê um verso e não um passe do Alex.

Eu gosto do passe. Impossível não se encantar com chutes a gol como o do Elano contra o Corinthians. Mas um longo lançamento ou um ligeiro toque que quebra uma zaga inteira tem lugar cativo nas minhas admirações. Lá está agora o passe de Montillo. O desenho que a bola faz até o pé do Roger me encantou antes mesmo do desfecho do lance. Na medida exata, com uma ligeira curva. Por pouco, o Verón não a corta de cabeça. Por pouco, não atrasa a jogada. Com um agravante: o passe foi ainda mais bonito pelo contraste com outro dado em 2009 na final da Libertadores.

O contexto era extremamente parecido. Jogo contra o Estudiantes. O primeiro gol havia brotado de um chute de fora da área, com desvio no zagueiro, que colocou a bola no fundo da rede. Instantes depois, contra-ataque para o Cruzeiro, Ramires entrando sozinho pelo meio, o Wagner vê, tenta, mas erra o passe. Errou feio. Pois, semana passada, Montillo acertou. E foi bonito de se ver.

Foto: Fernando Martins / Globoesporte.com

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Libertadores da América

Hoje é dia de Liga dos Campeões. Nada mais, nada menos, que Arsenal versus Barcelona. Um duelo entre times que prezam pelas pratas da casa e mantém um altíssimo nível de futebol. Alto nível, aliás, predominante em toda a Liga dos Campeões nesta altura do campeonato. Salvo engano, foi Mario Kemps quem cravou: há mais talentos numa final da Champions que em uma final de Copa do Mundo.

De fato, a maior competição européia de clubes é de encher os olhos. O coro característico entoado antes de cada jogo não deixa dúvida: estamos à beira de um jogo da Liga dos Campeões. E isso é quase suficiente. Não bastasse, entram em campo times como Real Madrid, Milan, Manchester United, Internazionali (Fillipo!), Arsenal, Barcelona. Quer mais?

O patrocinador oficial da competição é minha cerveja predileta. Hoje já não sei se gosto de Heineken por causa da Liga dos Campeões ou se gosto da Liga dos Campeões por conta da Heineken. Sei que admiro até os comercias que antecedem os jogos. A ideia é boa, as atuações, a edição. Escancara a qualidade latente no que se faz; o quão distante está dos comerciais de nossas cervejas. Uma metáfora que diz o quão distante a Liga dos Campeões está do campeonato que acontece por aqui.

Mas tem uma coisa. Nisso a competição europeia nunca superará a sul-americana. Justo o ponto em que a criatura supera o criador: o nome. Digo sem o menor conhecimento e com a maior autoridade, não ouve nem nunca haverá uma competição com nome mais forte e belo que Libertadores da América. Os melhores times do continente sul-americano reunidos neste torneio, como se os libertadores dos respectivos países se encontrassem para medir forças, com um quê que enobrecimento geral. Afinal, disputar a competição já engrandece qualquer clube.

Valorizando a prata da casa, como nos ensina Arsenal e Barcelona, é mister dizer: hoje é dia de Libertadores da América. Nada mais, nada menos, que Cruzeiro versus Estudiantes. Times que mediram forças há dois anos em quatro grandes jogos. Não haverá música introdutória como no jogo da tarde. Uma emissora de televisão até arriscou a nona sinfonia de Beethoven, mas não calhou. Por mim, escuto a terceira faixa do álbum Falso brilhante, gravado pela Elis Regina. Além de mais regional, compreende que a liberdade é uma mulher.

Los hermanos

Yo tengo tantos hermanos
Que no los puedo contar
En el valle en la montaña
En la pampa y en el mar
Cada cual con sus trabajos
Con sus sueños cada cual
Con la esperanza delante
Con los recuerdos detrás
Yo tengo tantos hermanos
Que no los puedo contar

Gente de mano caliente
Por eso de la amistad
Con um lloro para llorarlo
Con un rezo para rezar
Con un horizonte abierto
Que siempre esta más allá
Y esa fuerza pa buscarlo
Con tezón y voluntad
Cuando parece más cerca
Es cuando se aleja más
Yo tengo tantos hermanos
Que no los puedo contar

Y asi seguimos andando
Curtidos de soledad
Nos perdemos por el mundo
Nos volvemos a encontrar
Y asi nos reconocemos
Por el lejano mirar
Por las coplas que mordemos
Semillas de imensidad
Y así seguimos andando
Curtidos de soledad
Y en nosotros nuestros muertos
Pa que nadie quede atrás
Yo tengo tantos hermanos
Que no los puedo contar
Y una hermana muy hermosa
Que se llama libertad

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