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Archive for fevereiro \12\UTC 2012

O Barcelona existe – segundo tempo

O jogo recomeça e com dez minutos a torcida grita “olé” a cada passe trocado. E, em se tratando de Barcelona, dentro de um grito de “olé” cabem três passes curtos. Diziam que Garrincha fazia o tamanho de um guardanapo parecer um latifúndio. O Barcelona é, em se tratando de passes, isto.

Nesse clima de festa reaparece Özil. Toque para Cristiano Ronaldo, que com precisão dribla o goleiro e arremata a jogada. Dois a um. Quatro minutos depois, aos trinta e cinco do segundo tempo, Benzema chapela Puyol e marca o segundo. Dois a dois. Se o Real faz o terceiro, classifica-se, sobre o Barcelona, no Camp Nou, e virando um jogo que perdia por dois a zero. Inimaginável, não?

Eu, que acompanhava a partida sedento por jogadas geniais, quase que independentemente de onde viessem, fui envolvido pelo clima de tensão que silenciosamente vibrava no Camp Nou. Mas a situação do risco iminente de um desastre para o Barcelona me agradava, e não era aquele sentimento de Juliana, prazer promovido pela infelicidade alheia. Era uma oportunidade ímpar para observar se o Barcelona manteria seu jogo naquelas circunstâncias. Se trocaria aqueles passes curtos. Se não os erraria.

Manteve, dentro do possível. Armou bons contra-ataques. Messi quase fez o terceiro num chute que raspou a trave esquerda do goleiro. E Pedro perdeu boa oportunidade ao cabecear em cima de Casillas depois de uma troca de passe à la Barcelona. Mas o terceiro gol, que normalmente sai, não saia.

No limite da tensão, depois de uma bola cruzada na área pelo Real Madrid, em uma cobrança de falta que poderia sacramentar o duelo, a bola sobra para Puyol. Com o mesmo tanto de pudor que teve ao receber só de toalha os comprimentos da rainha da Espanha no vestiário depois do jogo contra a Holanda, ele deu um chutão pra frente. Sim, um chutão. Pude, enfim, concluir: de fato, o Barcelona existe.

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O Barcelona existe – primeiro tempo

A alguns metros de mim, jogadores do Real Madrid faziam o aquecimento chutando bolas para o gol. Cristiano Ronaldo, Higuaín, Kaká, Özil.

Não acho que os goleiros estavam fazendo corpo mole. Em geral, chutes fortes no ângulo ou rente ao gramado, ao pé da trave. Raramente, um bola por cima do gol. Não vi o Cristiano Ronaldo errar um chute. Özil tocou uma por cobertura, “como quem chupa um chicabon”. Acertou a trave direita do goleiro.

Mais ao fundo o time do Barcelona não impressionava como o Real, fazia alongamento. Os times voltaram para os vestiários. Alguns minutos depois, o pontapé inicial.

Poucos segundos de jogo e Piqué deixa passar a bola para o goleiro sem notar que Higuaín antecipou o lance. Ele e o arqueiro. A rede que que foi tantas vezes balançada minutos atrás, no aquecimento, permaneceu intacta. Higuaín tirou do goleiro, mas a bola saiu à esquerda da meta.

E não foi um lapso. O Real Madrid começou melhor que o Barcelona. Kaká aparecia bem no jogo. Mas um jogador, a meu ver, dava lições de futebol: Özil. Ele, que foi crucificado por sua “lentidão” na derrota para o veloz time do Barcelona, pelo campeonato espanhol, mostrava que não é tão inofensivo assim. Depois de um corte em cima de Busquets, bateu de esquerda. Como no aquecimento, a bola acertou a trave, dessa vez o travessão. O recado foi dado. Não caberia à realeza um papel meramente figurativo.

Tampouco o caberia ao Barcelona. O Real jogava contra Puyol, Piqué, Daniel Alves, Abildal, Busquets, Xavi, Iniesta, Fábregas, Messi, Sanchés. Mesmo sem as jogadas incisivas, a equipe catalã trocava passes como lhe é de costume, quer dizer, surpreendentemente. Fui tão surpreendido quanto devem seus adversários. O time começa a trocar passes numa parte do campo. Passes curtos, rápidos, de primeira, que exercem um tipo de magnetismo. Atrai tanto o olhar dos torcedores quanto dos marcadores adversários. De repente, Messi vira o jogo, num passe longo pelo alto. Juro que pensei: pra ninguém. Olhei e não vi ninguém. Eis que Daniel Alves recebe a bola sozinho, com meio campo à sua disposição.

No primeiro tempo, a equipe teve sessenta por cento de posse de bola. E fez dois gols. Primeiro, o magnetismo e bom passe de Messi fizeram Pedro ter tranquilidade suficiente para finalizar no canto direito de Casillas. Segundo, Daniel Alves acertou um chute ainda mais impressionante que os do aquecimento do Real Madrid. Estádio vibrando, mas não ao ponto de se abraçar desconhecidos, como no Brasil. No segundo gol, interagi um pouco com uma senhora catalã. Fim de primeiro tempo. Os torcedores turistas pediam mais três. Ela já transparecia alguma inquietação.

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