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Archive for the ‘Botafogo de Futebol e Regatas’ Category

chorando

A semana começa, como de costume, com uma das instituições mais tradicionais do povo brasileiro:

O Chororô.

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Eu confesso, querido leitor.

Sinto uma certa vaidade em pertencer a uma geração de São Paulinos que viu seu time conquistar o mundo por três vezes. Por tantas vezes dirigi meus olhos com certo desprezo para Santistas e Botafoguenses da minha geração. Pobres torcedores! O orgulho que sentem pelos esquadrões do passado é quase uma maldição. Uma certeza de que seus clubes atingiram o máximo de suas conquistas em um passado que não voltará.

Eu, por outro lado, sempre olhei para o passado com olhos mais leves. Olhos de quem busca pela história e não por dias melhores.

Pura ilusão.

Todo torcedor carrega o fardo de não ter contemplado parte da história de seus clubes. Botafoguenses choram por Heleno como gregos choram por Helena. Santistas lamentam pela extinção das tabelas Pepe-Coutinho-Durval. Ah, vascaínos! Ah, se o mundo parasse nos anos 40. Flamenguistas do passado, num momento de subversão do espaço-tempo, certamemente cantariam que Didi é melhor que Etoo.

E eu carrego também a minha desilusão.

Não vi Canhoteiro. Mas o que mais me fere é saber que jamais verei Canhoteiro.

Bailarino russo, Cantilflas, peladeiro, anarquista, galhofeiro… Canhoteiro é um amontoado de predicados que não me pertencem.

E, hoje, no seu 77º aniversário só me resta lembrar melancolicamente do craque nunca conheci.

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garrincha_copa_58

Lendo a coletânea de crônicas "O gol é necessário" de Paulo Mendes Campos (obrigado, Bernardo!) encontrei uma definição genial sobre o que é Mané Garrincha. A definição, aliás, nem é do autor. É mais um daqueles grandes pensamentos de Armando Nogueira:

“o drible é, em essência, fingir que se vai fazer uma coisa e fazer outra; fingir, por exemplo, que se vai sair pela esquerda, e sair pela direita. Pois o Garrincha é a negação do drible. Ele pega a bola e pára; o marcador sabe que ele vai sair pela direita; o público todo sabe que ele vai sair para a direita; seu Mané mostra mais uma vez que vai sair pela direita; a essa altura, a convicção do marcador é granítica: ele vai sair pela direita; Garrincha parte e sai pela direita. Um murmúrio de espanto percorre o estádio: o esperado aconteceu, o antônimo do drible aconteceu”.

A genialidade do Mané era tamanha que a obviedade de seus dribles converteu-se num atributo positivo. É aterrador pensar que o drible estava tão acima do driblado, que enganá-lo era desnecessário. Garrincha era tão instintivo e tão imparável,  que só pode ser catalogado hoje como uma força da natureza.

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Na eminência do nada a dizer, a placa salvadora é levantada: no blog saem momentaneamente (não se animem) os textos de Alex Popst e entra um do mestre Armando Nogueira. A arquibancada agradece aos deuses pela feliz substituição.

Pelada de Subúrbio

Nova Iguaçu, quatro horas da tarde, sábado de sol. Dois times suam a alma numa pelada barulhenta; o campo em que correm os dois times abre-se como um clarão de barro vermelho cercado por uma ponte velha, um matagal e uma chácara silenciosa, de muros altos. A bola, das brancas, é nova e rola como um presente a encher o grande vazio de vidas tão humildes que, formalmente divididas, na verdade, juntam-se para conquistar a liberdade na abstração de uma vitória. Um chute errado manda a bola, pelos ares, lá nos limites da chácara, de onde é devolvida, sem demora, por um arremesso misterioso. Alguns minutos mais tarde, outra vez a bola foi cair nos terrenos da chácara, de onde voltou lançada com as duas mãos por um velhinho com jeito de caseiro. Na terceira, a bola ficou por lá; ou melhor, veio mas, cinco minutos depois, embaixo do braço de um homem gordo, cabeludo, vestido numa calça de pijama e nu da cintura para cima. Era o dono da chácara. A rapaziada, meio assustada, ficou na defensiva, olhando: ele entrou, foi andando para o centro do campo, pôs a bola no chão e, quando os dois times ameaçavam agradecer, com palmas e risos, o gesto do vizinho generoso, o homem tirou da cintura um revólver e disparou seis tiros na bola. No campo, invadido pela sombra da morte, só ficou a bola, murcha.

P.S.: Este blogueiro registra nesse post sua admiração ao Botafogo por ter inaugurado sua novíssima sala de impresa com o nome do magnifico Armando Nogueira. Parabéns!

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Um bom boleiro é supersticioso. O amante da pelota que ignora a presença do sobrenatural ainda não entendeu a profundidade metafisica espiritual do jogo. Bem esse é assunto pra outro dia.

O assunto de hoje é a maldição do Blog (ou será apenas do blogueiro?).

Tratamos o Real Madrid por melhor do mundo e os Merengues levaram uma senhora traulitada do arqui-rival. Sapeca-iá-iá inesquecível.

Dia desses o blog amanheceu azul… Mas a felicidade durou pouco. Chelsea eliminado da Champions League.

Não pode ser coincidência! Começo a achar que os servidores do WordPress estão localizados em algum antigo cemitério indígena. Por precaução os próximos posts serão feitos com um olho no monitor e outro tabela .

Saravá!

P.S.: Já que o assunto é superstição, este blog se enche de alegria ao saber que o Botafogo voltará a jogar com os meiões na cor cinza. Agora vai!

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Caminho para a distância é o nome do primeiro livro de poesias do Vinicius de Moraes. Aos poucos, estou me inteirando. Mas nada encontrei no interior que superasse o impacto do título, ainda. Geralmente se caminha para aproximar-se do que quer que seja. Mas, de fato, é impressionante como conseguimos nos afastar em tentativas laboriosas de aproximação. O avesso também ocorre: a fuga pode fatalmente nos aproximar do que a motiva.

Nelson Rodrigues exaltava os benefícios de assistir a uma partida nas Laranjeiras, o aconchego, a proximidade do acontecimento: de perto, o cheiro do suor torna-se requisito indispensável para confirmar que não se trata de marmelada, que os jogadores estão realmente suando a camisa. No Maracanã, dizia, tudo é muito vago e longínquo: insuportavelmente seco e distante. Nas Laranjeiras uma pelada tornava-se impactante, uma reles cobrança de lateral inflamava o torcedor. Em mensagem subliminar, sugeriu que se a final da Copa de 50 tivesse ocorrido nas Laranjeiras, ou o Brasil golearia o Uruguai ou um torcedor acertaria o Gighia naquela jogada de linha de fundo, antes ou depois do lance. Tudo, menos aquele silêncio infernal.

Eis que num intervalo de dois dias tive a oportunidade de participar dos dois lugares. Presenciei, no domingo, a vitória do Flamengo sobre o Botafogo. Na segunda acompanhei o treino do Fluminense nas Laranjeiras. E constatei: Nelson Rodrigues estava certo; estava. Apesar de reconhecer cada linha da crônica ao contemplar o belo (porém descuidado) campo tricolor, foi no Maracanã que acabei de compreender aquela exaltação às Laranjeiras. A partida entre Botafogo e Flamengo foi lastimável. Bola na canela, passes errados, jogo truncado, e um mísero gol contra, que sequer tornar-se-ia bonito caso fosse à favor. Uma autêntica pelada. Mas muita coisa aconteceu.

Raras vezes presenciei tão forte ousadia, beleza e virada de jogo. Beleza provida da torcida de Flamengo e Botafogo; ousadia oriunda de um botafoguense que, entre milhares de flamenguistas, torcia e retorcia como se estivesse entre alvi-negros; virada de jogo da massa rubru-negra para cima de mim e dos adversários. Imaginava que a torcida do Flamengo tinha sua força, mas não sabia que era tamanha. Até então só havia tido experiências estreitas, um, três, seis, não mais que dez flamenguistas ao meu redor. O canto e paixão dos incontáveis no meu entorno escancararam que a torcida rubro-negra, em estado de massa, é maravilhosa, enquanto o torcedor rubro-nego singular é um ser insuportável. Sim, também virou o jogo para cima dos adversários, que acreditavam apertar a ferida dos rubro-negros relembrando-lhes sua condição social, quase esquecida durante o jogo de futebol, ao cantar “- Favela, favela, silêncio na favela!”. Domingo, descobriram que o futebol não é tão alienante: o canto era “- Favela, favela, é festa na favela!”.

Se Nelson Rodrigues enxergou no Maracanã uma distância, frieza e esterilidade ausentes nas Laranjeiras, encontrei no Maracanã uma proximidade, paixão e fertilidade ausentes na televisão. Nenhuma câmera especial, tampouco uma absurda quantidade delas, nenhum microfone de última geração, é capaz de nos aproximar do jogo. Se a construção do estádio Mário Filho significou um passo no distanciamento do jogo de futebol, a transmissão das partidas através do televisor significou um salto. A TV transmite ainda menos cheiro que o Maracanã.

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Na ida para o Maracanã surgiu-me a seguinte questão: é de corpo e alma que o torcedor pertence ao seu time? Pois no metrô vi um botafoguense de corpo, e alma de flamenguista. Cantava e gritava sozinho esbanjando confiança e ousadia, andava como um torcedor do Flamengo, de cabeça erguida e sem se importar com a apatia dos que lhe cercavam. Mas, paradoxalmente, a sua notória atitude exibia mais a dos outros torcedores, apática, ressabiada: iam para o estádio como quem ia ao cinema assistir a um drama que revigora.

Mas desta vez um final feliz. Enfim, um título! E com um sonoro, indiscutível, três à zero. O grito “- É campeão” foi expelido pelo botafoguense, sem qualquer hesitação, com os dois pés no alto, nenhum deles atrás.

Na volta para casa, a apatia me pareceu a mesma. Claro, um sorriso no rosto, menos peso nas costas, porém nada efusivo, contaminador, contagiante. Um ou outro se exaltava, sem que a exaltação fosse como uma fagulha que esbarrasse em gasolina. Concluí que alguns fatos são incapazes de transformações profundas. Se o Botafogo um dia vencer a Libertadores e Mundial de Clubes, o time e os torcedores terão se transformado? Pois o Flamengo não vence uma competição continental ou mundial faz algum tempo e seu torcedor continua insuportavelmente confiante. Segundo Nelson Rodrigues, chegará o dia em que a camisa do Flamengo jogará sozinha, por tamanha força. Disse também que os torcedores dos mais diversos times muito se parecem, mas o do Botafogo pode ser reconhecido sob qualquer condição, já que seu pessimismo não permite qualquer disfarce. Então, me perguntei: embaixo dos trajes de Schopenhauer jazia uma camisa do alvinegro carioca?

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Devem existir flamenguistas com alma de botafoguense, mas são raridades, assim como aquele solitário que esbanjava ânimo na ida para o jogo. Queria tê-lo visto na volta.

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