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Archive for the ‘Clube de Regatas do Flamengo’ Category

Ricardo Teixeira nunca foi um grande pensador. Eu, pelo menos, não me lembro de uma grande reflexão ou um pensamento genial feita pelo dono do futebol brasileiro. Porém, com o fim da eleição do Clube dos 13 e a derrota de seu candidato, Kléber Leite, as ações retaliativas do presidente da CBF acabaram por derrubar uma famosa corrente filosófica: O Humanitismo.

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Vamos ser sinceros, há vários meses, quando o Andrade assumiu, ainda que interinamente, o Flamengo, quem acreditaria que ele poderia levar o time ao título brasileiro? Quem apostaria que o “ex-jogador” Dejan Petković seria capaz de jogar uma partida completa e digo mais, virando o maestro da equipe? Quantas pessoas viram a contratação do Adriano como uma jogada de marketing, já que ele não estava feliz ao ser um profissional?

Quando o Flamengo acenou como um candidato real a campeão brasileiro de 2009, muitos jornalistas temiam que o título seria uma premiação a desorganização, ao amadorismo e a tudo mais que existe de pior no futebol. Mas sejamos sinceros, talvez eles tenham mesmo razão.

No meio de um tumultuado processo político, sem um centro de treinamento decente, até pouco tempo com salários atrasados e devendo milhões de dólares a Deus e o mundo, talvez o Flamengo não merecesse mesmo esse campeonato. Talvez apenas os clubes organizados devessem ser campeões, porém, o futebol felizmente é feito do imponderado, é feito de raça e é feito de equipes que sabem aproveitar seu momento e a equipe da Gávea soube fazer isso, soube agarra com unhas e dentes um campeonato que diversos outros clubes bem estruturados não quiseram ganhar.

Mas se a vitória rubro-negra merece um rótulo, acho que esse é o de “O título da humildade”. A humildade do seu principal jogador que anda de chinelo pela favela, a humildade de uma equipe formada por Ronaldos Angelins, Airtons e Brunos Mezengas, a humildade de seus milhões de torcedores que vivem em situação de vida pior que a aceitável e a humildade de seu treinador que ao longo das rodadas preferiu tratar bem os jornalista do que falar mais do que devia e se autoproclamar o melhor do mundo.

Andrade inclusive que tornou-se o primeiro técnico negro a ser campeão brasileiro e se tinha uma pessoal que merecia levar o caneco, essa era o Tromba. Sujeito de poucas palavras, que construiu sua carreira profissional dentro do clube e mesmo assim era tratado sem o devido respeito.

Remanescente daquela geração de ouro que conseguiu conquistar tudo o que era possível, Andrade consegue mostrar como técnico aquilo que fez dentro de campo: serenidade, inteligência e trabalhar sem chamar os holofotes para si. Um homem que destoa dos demais em sua profissão pois como técnico não demonstra se achar mais importante que os jogadores e conseguiu fazer com que seus atletas dessem um pouco mais do que de costume.

Alguns tentarão desmerecer a façanha flamenguista argumentando ainda que esse foi o pior campeão dos pontos corridos ou que tivemos a vida facilitada pelos rivais na reta final, mas o fato é que somos campeões brasileiros depois de longos e inglórios 17 anos e como sabiamente disse Lamartine Babo ao compor o lindo hino rubro-negro, “Eu teria um desgosto profundo,/Se faltasse o Flamengo no mundo.”

[Imagem via GloboEsporte.com]

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chorando

A semana começa, como de costume, com uma das instituições mais tradicionais do povo brasileiro:

O Chororô.

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Eu confesso, querido leitor.

Sinto uma certa vaidade em pertencer a uma geração de São Paulinos que viu seu time conquistar o mundo por três vezes. Por tantas vezes dirigi meus olhos com certo desprezo para Santistas e Botafoguenses da minha geração. Pobres torcedores! O orgulho que sentem pelos esquadrões do passado é quase uma maldição. Uma certeza de que seus clubes atingiram o máximo de suas conquistas em um passado que não voltará.

Eu, por outro lado, sempre olhei para o passado com olhos mais leves. Olhos de quem busca pela história e não por dias melhores.

Pura ilusão.

Todo torcedor carrega o fardo de não ter contemplado parte da história de seus clubes. Botafoguenses choram por Heleno como gregos choram por Helena. Santistas lamentam pela extinção das tabelas Pepe-Coutinho-Durval. Ah, vascaínos! Ah, se o mundo parasse nos anos 40. Flamenguistas do passado, num momento de subversão do espaço-tempo, certamemente cantariam que Didi é melhor que Etoo.

E eu carrego também a minha desilusão.

Não vi Canhoteiro. Mas o que mais me fere é saber que jamais verei Canhoteiro.

Bailarino russo, Cantilflas, peladeiro, anarquista, galhofeiro… Canhoteiro é um amontoado de predicados que não me pertencem.

E, hoje, no seu 77º aniversário só me resta lembrar melancolicamente do craque nunca conheci.

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Caminho para a distância é o nome do primeiro livro de poesias do Vinicius de Moraes. Aos poucos, estou me inteirando. Mas nada encontrei no interior que superasse o impacto do título, ainda. Geralmente se caminha para aproximar-se do que quer que seja. Mas, de fato, é impressionante como conseguimos nos afastar em tentativas laboriosas de aproximação. O avesso também ocorre: a fuga pode fatalmente nos aproximar do que a motiva.

Nelson Rodrigues exaltava os benefícios de assistir a uma partida nas Laranjeiras, o aconchego, a proximidade do acontecimento: de perto, o cheiro do suor torna-se requisito indispensável para confirmar que não se trata de marmelada, que os jogadores estão realmente suando a camisa. No Maracanã, dizia, tudo é muito vago e longínquo: insuportavelmente seco e distante. Nas Laranjeiras uma pelada tornava-se impactante, uma reles cobrança de lateral inflamava o torcedor. Em mensagem subliminar, sugeriu que se a final da Copa de 50 tivesse ocorrido nas Laranjeiras, ou o Brasil golearia o Uruguai ou um torcedor acertaria o Gighia naquela jogada de linha de fundo, antes ou depois do lance. Tudo, menos aquele silêncio infernal.

Eis que num intervalo de dois dias tive a oportunidade de participar dos dois lugares. Presenciei, no domingo, a vitória do Flamengo sobre o Botafogo. Na segunda acompanhei o treino do Fluminense nas Laranjeiras. E constatei: Nelson Rodrigues estava certo; estava. Apesar de reconhecer cada linha da crônica ao contemplar o belo (porém descuidado) campo tricolor, foi no Maracanã que acabei de compreender aquela exaltação às Laranjeiras. A partida entre Botafogo e Flamengo foi lastimável. Bola na canela, passes errados, jogo truncado, e um mísero gol contra, que sequer tornar-se-ia bonito caso fosse à favor. Uma autêntica pelada. Mas muita coisa aconteceu.

Raras vezes presenciei tão forte ousadia, beleza e virada de jogo. Beleza provida da torcida de Flamengo e Botafogo; ousadia oriunda de um botafoguense que, entre milhares de flamenguistas, torcia e retorcia como se estivesse entre alvi-negros; virada de jogo da massa rubru-negra para cima de mim e dos adversários. Imaginava que a torcida do Flamengo tinha sua força, mas não sabia que era tamanha. Até então só havia tido experiências estreitas, um, três, seis, não mais que dez flamenguistas ao meu redor. O canto e paixão dos incontáveis no meu entorno escancararam que a torcida rubro-negra, em estado de massa, é maravilhosa, enquanto o torcedor rubro-nego singular é um ser insuportável. Sim, também virou o jogo para cima dos adversários, que acreditavam apertar a ferida dos rubro-negros relembrando-lhes sua condição social, quase esquecida durante o jogo de futebol, ao cantar “- Favela, favela, silêncio na favela!”. Domingo, descobriram que o futebol não é tão alienante: o canto era “- Favela, favela, é festa na favela!”.

Se Nelson Rodrigues enxergou no Maracanã uma distância, frieza e esterilidade ausentes nas Laranjeiras, encontrei no Maracanã uma proximidade, paixão e fertilidade ausentes na televisão. Nenhuma câmera especial, tampouco uma absurda quantidade delas, nenhum microfone de última geração, é capaz de nos aproximar do jogo. Se a construção do estádio Mário Filho significou um passo no distanciamento do jogo de futebol, a transmissão das partidas através do televisor significou um salto. A TV transmite ainda menos cheiro que o Maracanã.

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Pela primeira vez, assisti a um Fla X Flu, no Maracanã. Não me senti à vontade para escrever sobre o jogo. Um tema, envolvendo o resultado (1 x 1), morreu pré-maturo. O fato é que estava intimidado. Num sentimento parecido com aquele provocado pela frase de Adorno, “Não é possível fazer poesia depois de Auschwitz”, me sentia rodeado pela afirmação “Não é possível escrever sobre um Fla X Flu depois de Nelson Rodrigues”. Claro, apelei para o relato de minha experiência particular, deslocando a atenção do objeto para o sujeito. Minha sincera revolução copernicana.

Foi… Bom, quer dizer, foi quase bom. Não tiveram jogadas encantadoras, o primeiro tempo se arrastou num zero à zero, o estádio não estava cheio e nenhum dos dois times corria risco de desclassificação. Mas ocorreram gols, um pra cada lado, pude ver as torcidas explodirem de emoção, e a organização do evento, diga-se de passagem, estava exemplar. Apesar de não ser bem isso que se espera de um Fla X Flu no Maracanã. Eu trocaria uns quarenta minutos à mais na fila por um gol de barriga decidindo o campeonato. Concordo que a expectativa não poderia ser tamanha, pela própria circunstância da partida, mas um três a dois, de virada, passava pela minha cabeça. Enfim: foi bom.

Alguém me consolaria dizendo que a primeira vez dificilmente se passa como o desejado. E mais, diria que nossas expectativas são a causa de nossos maiores males, o motivo de todas as nossas decepções, e imediatamente lançaria um discurso sobre a abolição das esperanças: assim, livres do mal que restou na Caixa de Pandora, tudo se mostraria digno de admiração, como se contemplássemos as coisas sempre pela primeira e última vez. Faz algum sentido. Mas, fóssemos assim, não nos deleitaríamos tanto diante da atuação do Barcelona diante do Bayern de Munique.

Fim de primeiro tempo: quatro a zero, dois gols de Messi, um de Henry e outro de Eto´o. Quando o Cruzeiro, após vencer o Campeonato Mineiro, a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro, em 2003, contratou o Rivaldo, as pernas dos adversários bambearam. À toa. O Cruzeiro imaginado não entrou em campo. Na Copa do Mundo de 2006, o suposto Brasil não foi à Alemanha. Digo isso pelo seguinte: imaginem Eto´o, Henry e Messi num só time; pois foi essa imagem que realmente entrou em campo quarta-feira. Dia marcado pela exaustão de todas as espectativas. Pareceu, por isso, que estávamos assistindo uma partida de futebol pela primeira vez, enquanto a equipe espanhola jogava como se fosse pela última. Espero, ansiosamente, o próximo jogo, conste nele o Barcelona ou Flamengo e Fluminense.

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Milésimo

Quem é maior?

Invariavelmente, quando um jogador começa a forçar sua saída ou sai de um clube, os dirigentes aparecem em frente do backdrops e dizem com toda a sinceridade que lhes caracteriza: ” Jogador X é muito bom… É realmente um craque de seleção, mas a instituição Y é muito maior que ele…”

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