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Posts Tagged ‘Barcelona’

O Barcelona existe – prelúdio

Eu, garoto desprivilegiado, criado na periferia de uma cidade do nordeste. De acordo com a geografia oficial, Espírito Santo não é nordeste. E economicamente tem mostrado-se cada vez mais distante de seus pseudo conterrâneos. Mas em termos futebolísticos o estado é deveras mais árido que o nordeste.

Sobrevivi assistindo a jogos como Serra versus Jaguaré, Vitória contra Vilavelhense. Sequer peguei a fase de decadência de Rio Branco e Desportiva Ferroviária. Quando dei por mim, ambos já estavam no limbo do futebol nacional.

Parecendo uma espécie de programa paleativo do governo federal, alguns times grandes do Brasil excurcionavam por lá. Tive o então privilégio de ver Flamengo contra Vitória da Bahia. O Flamengo, imaginem só. E com o melhor ataque do mundo: Sávio, Romário e Edmundo. Gente entrando pelo ladrão. Lembro-me de ter entregado o ingresso e passado por cima de uma grade (que sufoco, não foi, Agnaldo?). Fim de jogo: um a zero para o Viória, que deve ter se sentido em casa. Primeira lembrança de sentimento de prazer pela derrota e infelicidade alheia; agora me dou conta que o espírito de Juliana circula até mesmo nos mais jovens.

Esse certamente não veio de um programa do governo. Deve ter vindo dos céus. Vi meu time de coração jogar contra o Flamengo, no estádio do Rio Branco. Ataque formado por Paulinho Mclaren e Marcelo Ramos. Salvo engano, um gol de cada. Dois a zero para o Cruzeiro, com direiro a trilha sonora da torcida máfia azul.

***

Eu, rapaz privilegiado, morando numa das cidades mais caras da Europa, num apartamento só para mim. Pago com dinheiro da bolsa de estudos fornecida pelo governo federal, aquele mesmo que parecia suprir minha carência futebolística do passado.

Mas em Estocolmo não tem futebol de primeiro mundo. No inverno, nem de terceiro. Mas Estocolmo fica na Europa e nela tem futebol de primeiro mundo. Como se eu viajasse de Vitória para Natal, só que pagando mais barato, é possível ir à Barcelona e assistir, por exemplo, o clássico espanhol.

Para tanto, basta pegar o metrô na estação Näckrosen, que fica a cerca de trezentos metros da minha casa, em direção à T-Centralen. Lá é preciso pegar um trem cujo destino final é Märsta. Na estação Upplands Väsby troca-se de trem para chegar ao aeroporto. É preciso, inclusive, que o trem cujo horário lhe faria chegar com alguma tranquilidade no aeroporto seja cancelado. E que o seguinte demore cerca de trinta minutos para passar: tempo suficiente para colocar em risco seu voo para a Espanha. Assim, basta sair da estação procurando o centro deste lugar por demais periférico, em busca de um táxi. Pergunte ao gari sueco por um cab. Se for necessário, diga táxi. Encontrado o veículo, por segurança pergunte em torno de quanto fica o valor. Mas não se preocupe, o taxista turco faz exatamente o trajeto mais curto e chega ao aeroporto em quinze minutos: o trem não teria passado na estação ainda. Faça o check-in numa máquina, com alguma tranquilidade, e embarque no voo. Durante a viagem talvez seja necessário pedir um vinho com azeitonas para relaxar. Descanse um pouco.

A chegada em Barcelona pode ser às 19h, já que o jogo é as 22h. No aeroporto, pegue o ônibus 56, em direção à Plaza España. Sim, perca o ônibus por questão de segundos. O próximo deve ser vinte minutos depois, às 19h45. Não preocupe: Plaza España é o último ponto, e estará nele em cerca de 30 minutos. Chegando na praça pegue o metrô, que não é tão simples como de costume. Ande algumas estações na linha vermelha e na estação Plaza Sens troque para a linha azul, direção Cornella. Salte em Badal, se perca um pouco para saber o lado certo para caminhar em direção à rua do albergue. Algumas perguntas, tentativas que contrariam as respostas e pronto. Aí está: Hostel One Sants. Toque a campainha. Nano, argentino que vive em Barcelona há dois anos, hei de atendê-lo com a melhor cara do mundo, dar a chave do quarto e uma toalha de brinde (um banho por ser necessário por conta de algumas corridas). Pergunte pelo ingresso que você comprou pela internet, pediu para entregar no albergue e confiou plenamente naqueles que o receberiam e guardariam. Pronto, envelope em mãos, lacrado, com o ingresso dentro.

Aí é só fazer uma amizade relâmpago com dois argentinos que vão ao jogo. Caminhe cerca de dois quarteirões e aviste o Camp Nou, de longe. Mesmo que seu bilhete seja na arquibancada norte, entre ali mesmo e dê a volta por dentro do estádio, como lhe recomendará alguém no albergue. Portão 83. Entre. E verás que está muito mais perto do campo que imaginava. Sim, o Barcelona existe. Ainda está um pouco longe, do outro lado do campo. Porém mais perto do que nunca.

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Canal 1.000

Não sou apaixonado por cinema. Mas amanhã me deslocarei um tanto para pegar uma seção. E paguei caro, trinta reias a meia. O filme? Será feito na hora. Em 3D.

A final da Champions League será transitida em várias capitais do mundo em cinemas 3D. Mesmo se não fosse tridimensional. Assistir uma partida entre Barcelona e Manchester, melhor, desse Barcelona e desse Manchester, me faria deslocar para um estado vizinho, se preciso; como se deslocaram pessoas do Brasil inteiro para ver o Paul McCartney. Sei que os fãs de McCartney não se deslocariam para vê-lo num cinema, nem se fosse 4d. Mas minha espectativa é grande.

Do filme Cinema Paradiso, de Giuseppe Tornatore, além das seguidas cenas de beijo, guardei o ambiente do cinema de antigamente desenhado pelo diretor. Era parecido com o ambiente de estádio. Digo, de estádio aqui no Brasil. Não do Emirates, nem do Camp Nou. Ambulantes circulando pela sala, gente fumando o tempo inteiro, conversando, sobre o filme ou não. E conversar na Itália é gritar.

Pois, amanhã, na seção de 15h30, espero algo mais ou menos assim. Que a sala de cinema rememore seu antepassado e que a gritaria não só seja permitida, mas almejada. Grito de gol. Bola raspando na trave e que o grave “UHHH” estremeça o espaço. Gritos de olé. Aplausos na substituição.

A expectativa é tanta que parece que já conto como foi. Alertar-me-ia a pessoa que nunca leu a Crítica da razão prática: expectativa demais é a origem de todo seu sofrimento. Eu responderia: sua expextativa de não ter expectativa para não sofrer é a maior e mais descabida expectativa que pode haver. Então, anseio pelo começo do maior jogo de todos os tempos, que vai passar no canal 1.000.

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Não canso de ver o gol que Messi fez contra o Arsenal. É sobre isso que eu gostaria de escrever. Não sobre o gol. Nem sobre o Messi. Sobre o Barcelona. Porque no gol, o passe do Iniesta não é mero detalhe. Tampouco sua roubada de bola, que anteviu o passe de Fábregas e o interceptou.

Comum é achar que o craque só precisa antever o lance rumo ao gol. O craque também antevê para recuperar a bola. Assim, Xavi e Iniesta a recuperam sem fazer falta, não precisam ser truculentos, ganhar no corpo, ganham na antevisão.

Em um congresso sobre futebol realizado ano passado, Parreira disse que o Barcelona faz o que sempre pediu a seus times. Trocar passes, manter a posse de bola, girá-la,  procurar os espaços. É exatamente isso que o Barcelona faz! Mas de um jeito que a seleção, nem time algum, jamais fez. Wanderley Luxemburgo citou o Barcelona para se defender de críticas ao Flamengo. O jornal  A Gazeta colocou as seguintes palavras na boca do treinador: “Quero o Flamengo jogando no estilo do Barcelona”.

E eu quero escrever sobre o Barcelona com a perspicácia e simplicidade do Tostão, como fez em sua última coluna.

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O Santos não é um time

Pela primeira vez vi uma partida desse Santos. Depois de muito estardalhaço sobre o time, sentei no sofá para conferir. Sentei no sofá torcendo para o Santos. Afinal, muito se tem escrito sobre o rumo que o futebol pode tomar se o Barça perder a Liga dos Campeões e o Campeonato Espanhol e se o Santos não conquistar o Paulista e a Copa do Brasil. Na minha cabeça, imagino um futuro com times almejando, pelo menos, um jogo como o desses dois. Quase como uma mini-alteração do passado que sagrasse o Brasil campeão em 1982. (mais…)

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Cruzeiro > Real Madrid

É o que diz o novo ranking da IFFHS. O clube mineiro subiu duas posições em relação à lista anterior. Pulou de oitavo para sexto lugar. De acordo com o ranking da IFFHS, o Cruzeiro é o sexto melhor time do mundo, contando os últimos 365 dias.

Melhor que Arsenal, Inter de Milão, Real Madrid, Milan, Liverpool. Se a formiga é o animal mais forte do mundo, proporcionalmente, não é tão absurda a colocação do Cruzeiro. Sequer a do Estudiantes, segundo lugar.

Sempre inusitado e aguardado é o duelo entre a formiga e o elefante que acontece toda vez  no começo de dezembro, sob a rubrica da FIFA, a mesma que reconhece o ranking supracitado. O confronto geralmente revela que a discrepância não é tão grande quanto imaginam alguns. Nem tão desprezível quanto consideram outros.

No mais, é sempre prazeroso ver seu time no topo de uma classificação mundial. Critérios por demais questionáveis não anulam todo contentamento. Mas um prazer quase desprezível se comparado a outros. Por exemplo: ver o Kléber aplicar um drible da vaca, de letra, no meio de dois jogadores do Velez que o encurralavam na linha lateral; como pano de fundo, uma vitória maiúscula numa partida decisiva.

Sem dúvida que aquele Cruzeiro bateria o Real Madrid. O Barcelona já não sei. Afinal, o time catalão é o primeiro do ranking da IFFHS. Disparado.

Situação distinta é a do campeonato espanhol. O Real é líder e tenta disparar no jogo de amanhã, contra o Barcelona. Mesmo com uma queda pelo time catalão, farei como uma amiga, desentendida de futebol, que diz torcer para a bola.

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Chegamos a mais uma semi-final da Champions League, e não poderia ser melhor, 4 Países estão sendo representados, Lyon(França) x Bayer de Munique(Alemanha) e na outra semi Inter de Milão(Itália) x Barcelona(Espanha).

Tempo atrás estava acontecendo muita reclamação que outros países da Europa não poderiam ficar ao mesmo nível dos times da Inglaterra, porque os times que foram comprados por multibilionários, tem maior investimento para o seu elenco, e bom essa semi-final prova ao contrário, quem faz o time não é o dinheiro, e sim seus jogadores, seu elenco, sua comissão técnica.

Manchester United eliminado pelo Bayer em um jogo maravilhoso, onde terminou 3 x 2 para o Manchester, mas por ter marcado mais gols fora(1º jogo foi 2 x 1 para o Bayer) o Bayer se classificou, com um golaço do Holandês Robben.

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E o Arsenal eliminado pelo campeão de tudo(bah eles nem ganharam o Paulistão para dizer isso) Barcelona, por 4 x 1 gols marcados pelo Messi(as).

E que venham as semi-finais emocionantes, com 4 nações, e toda a força que o futebol pode apresentar.

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Tutorial

Fazer um bolo de ameixa ou editar um video. Basta ter acesso à internet para chegar perto de uma habilidade desejada. Certamente as dicas dos internautas não farão de nós artífices exemplares, mas uma visada e nos tornamos, sem dúvida, pessoas mais capazes que aquelas de alguns minutos atrás.

Minha dúvida é a seguinte: exibir um curto video do Barcelona no Youtube, em uma preleção, fará dos jogadores de nossos times melhores passadores? Certamente não tocarão a bola como o time da Catalunha. Mas haveria, sequer, alguma melhora?

Contra a Inter de Milão, o Barcelona tocou a bola. Toques de primeira: Iniesta para Daniel Alves; Daniel Alves para Iniesta; Iniesta para Daniel Alves. Aparentemente, uma inútil troca de passes, em que a jogada não sai do lugar. Uma jogada inútil dessas – toque de primeira, rápido – não deve ter ocorrido uma vez sequer nesse campeonato brasileiro. Às vezes, arrisco que nenhum time do Brasil deu um passe como os do time do Barcelona. A velocidade e precisão de um toque, deixe ele um companheiro na cara do gol ou volte a bola de onde ela saiu, agora mesmo – são uma constante. Mas os jogadores não driblam, não seguram a bola? Influenciado pelo Tostão, digo que os Policarpo Quaresmas de agora esbravejariam: “— Eles tocam a bola porque não sabem driblar, não tem ginga suficiente para encantar e se refugiam no jogo pragmático”. Mas eles driblam. Houve um chapéu esteticamente apreciável e uma caneta que eu não via há algum tempo. Os dribles tornam-se mais fortes se acompanhados deste toque de bola. O adversário, acostumado com toques de primeira, com essa quantidade absurda de passes, pensa que no próximo lance haverá o toque, mas, de repente, o drible. Ou um passe não previsto. E o gol. Os gols vieram com a naturalidade que devolvemos a bola a um companheiro, de primeira. Claro, acompanhada da precisão que os jogadores do Barça devolvem uma bola de primeira.

Envolvida, a equipe da Inter, literalmente, assistiu ao Barcelona. Por isso, já adianto a resposta: não. A exibição de videos do time catalão não melhorará o toque de bola de uma equipe. A Inter de Milão assistiu, ao vivo, o tutorial e não conseguiu passar a bola daquele jeito. Digo mais: eles tentaram, tentaram imitar o adversário, como tentamos, involuntariamente, imitar os trejeitos de alguém admirado.

O toque do time italiano, de primeira, seco e rápido, subiu, pegou efeito imprevisto e saiu pela lateral.

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