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Tutorial

Fazer um bolo de ameixa ou editar um video. Basta ter acesso à internet para chegar perto de uma habilidade desejada. Certamente as dicas dos internautas não farão de nós artífices exemplares, mas uma visada e nos tornamos, sem dúvida, pessoas mais capazes que aquelas de alguns minutos atrás.

Minha dúvida é a seguinte: exibir um curto video do Barcelona no Youtube, em uma preleção, fará dos jogadores de nossos times melhores passadores? Certamente não tocarão a bola como o time da Catalunha. Mas haveria, sequer, alguma melhora?

Contra a Inter de Milão, o Barcelona tocou a bola. Toques de primeira: Iniesta para Daniel Alves; Daniel Alves para Iniesta; Iniesta para Daniel Alves. Aparentemente, uma inútil troca de passes, em que a jogada não sai do lugar. Uma jogada inútil dessas – toque de primeira, rápido – não deve ter ocorrido uma vez sequer nesse campeonato brasileiro. Às vezes, arrisco que nenhum time do Brasil deu um passe como os do time do Barcelona. A velocidade e precisão de um toque, deixe ele um companheiro na cara do gol ou volte a bola de onde ela saiu, agora mesmo – são uma constante. Mas os jogadores não driblam, não seguram a bola? Influenciado pelo Tostão, digo que os Policarpo Quaresmas de agora esbravejariam: “— Eles tocam a bola porque não sabem driblar, não tem ginga suficiente para encantar e se refugiam no jogo pragmático”. Mas eles driblam. Houve um chapéu esteticamente apreciável e uma caneta que eu não via há algum tempo. Os dribles tornam-se mais fortes se acompanhados deste toque de bola. O adversário, acostumado com toques de primeira, com essa quantidade absurda de passes, pensa que no próximo lance haverá o toque, mas, de repente, o drible. Ou um passe não previsto. E o gol. Os gols vieram com a naturalidade que devolvemos a bola a um companheiro, de primeira. Claro, acompanhada da precisão que os jogadores do Barça devolvem uma bola de primeira.

Envolvida, a equipe da Inter, literalmente, assistiu ao Barcelona. Por isso, já adianto a resposta: não. A exibição de videos do time catalão não melhorará o toque de bola de uma equipe. A Inter de Milão assistiu, ao vivo, o tutorial e não conseguiu passar a bola daquele jeito. Digo mais: eles tentaram, tentaram imitar o adversário, como tentamos, involuntariamente, imitar os trejeitos de alguém admirado.

O toque do time italiano, de primeira, seco e rápido, subiu, pegou efeito imprevisto e saiu pela lateral.

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